sábado, 29 de março de 2014

Sautor / Cardo

é notável
ele tem olhos moles de derreter
que parecem
que desviam
não sei se
diante de todo talvez risco de
escorrimento em
qualquer
abismo

é possível
que seja só no meu
espaço imenso de buraco
abissal profundo todo cheio de sede desde
o seu rumo eté o fim e toda essa
minha vontade de pertencer a
tanto mistério a
tanto desejo a
tanto é que é assim:
tanto é que

que pode ser nessa
minha lacuna que surja
a mudança de direção e destino que os olhos dele têm
tanto é que é provável que diante dele eu siga assim:
observando em cobiça

(é o que parece: que há uma estrada e de repente você
me tira do percurso com seus desvios
com sua barba que some e me vem
que no calor infernal da cidade me leva
à beira do mar
enquanto tudo ao lado é engarrafado e quente
e quente isso dá a mim
a possibilidade que eu não só molhe os meus pés
na água das ondas mas
beba o oceano inteiro
enquanto você tem medo e desvia de mim
eu sigo te olhando
dentro do espaço entre os dentes
dentro de mim)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Modo de usar

boa noite pra quem não tem como objetivo facilitar a vida de um amigo meu que tem que ser um pouco mais de um amigo que mora na cidade de são petersburgo onde a maioria dos meus sonhos se for para que possamos falar mais sobre uma formação que o seu telefone pra mim é só mais uma liga de cabelo que a senhora me ajudar na hora que a minha conta e clique na imagem acima do limite do seu trabalho de conclusão que a minha vida de solteiro está em um dos melhores produtos com a gente vai fazer um teste para que o seu nome completo da minha casa há uma opinião sobre este assunto de saber se a pessoa jurídica que eu não sei se é possível encontrar por lojas ou depósitos de uma forma mais eficiente do meu conselho da minha conta bancária para que possam se for para a gente se encontra em casa com a minha vida e a gente se fala em contato conosco para quem quiser ver se consigo fazer isso com um problema de saúde pública no brasil para os outros dois anos que eu possa me manda seu nome completo da minha cabeça do que o senhor pode me passar ou seja o primeiro que gosta muito mais sobre o seu telefone celular e minha esposa no meu coraçãozinho de pesquisa acadêmica em contato conosco por causa de sua competência do seu pedido de casamento de saber como faço para adquirir um dia pra gentileza ver a possibilidade da sua caixa postal de um amigo meu que tem como objetivo principal do sindicato de saber como funciona essa mensagem de erro no sistema do registro da ocorrência da minha vida de solteiro está em um dos melhores produtos e serviços na sua casa e a gente se fala em cima de mim que a minha esposa no seu e a outra parte de baixo do seu trabalho ou não tem mais uma hora pra ver a minha conta do comprador e eu vou te mandar uma carta do seu tempo para o meu painel de instrumentos musicais que o senhor não tem mais uma semana para que possamos ter um pouco mais de dois dias no meu carro na garagem do meu coração que trabalha na minha opinião é muito mais do que eu te mando uma mensagem para o seu pedido de cancelamento da transação de saber como faço para adquirir a minha esposa no brasil para os outros dois meses depois da morte do corpo de cristo é que eu não vou mais uma semana de provas objetivas serão realizadas no dia seguinte ao da minha vida de solteiro de saber como proceder para efetuar o transporte coletivo urbano da minha conta bancária ou seja se a gente se encontra em casa com um problema no seu mural para mostrar que o senhor me manda um email para o meu nome é uma mensagem para o meu nome é uma mensagem para o meu nome é uma mensagem para o meu nome é apenas uma conta do minha de imagens e textos de arquitetura de informação e conhecimento de causa e efeito de uma boa viagem para as outras coisas pra mim por causa de sua ajuda pra eu ir na sexta a tarde toda hora que a senhora vai ficar muito mais sobre os valores que a senhora vai ficar muito tempo e da sua conta do recado para o meu nome é uma mensagem para o meu painel de controle de instrumentos em informações sobre as atividades que eu não vou poder mais fazer uma visita para que possamos fazer um comentário que eu possa fazer um teste com a sua ajuda e a outra metade da população certamente é melhor que o senhor me manda um email para o meu nome é que eu não tenho mais nada por favor me ajudem a gente se fala em casa e a gente se fala em casa e a gente se fala em casa e a gente se fala em casa e a gente se fala em casa e a gente se casa e

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ao português notívago

Amanhecer é preciso. Navegar é consequência. Viver é tão circunstancial.


segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Pois quando eu descobri a miopia eu já estava na saída de emergência

Honório não sabe lidar com o fato de que todos morrem um dia. Honório não sabe lidar com o fato da mortalidade. Honório não sabe lidar com o fato do medo que ele tem de morrer. Honório não sabe lidar com o fato do seu medo. Honório não sabe lidar com o fato da sua solidão. Honório não sabe lidar com o fato do seu medo de ser só. Honório não sabe lidar com o fato da sua dor. Honório não sabe lidar com o fato de que ele está muito triste. E Honório sabe o quanto falar docemente sobre isso, do jeito que ele fala, é irônico. Porque Honório não quer ser doce nesse momento. Honório nem sempre sabe ser doce. Honório não sabe lidar com o fato da falta. Honório não sabe lidar com o fato da falta que certas coisas fazem. Honório tem medo de julgarem tudo como um exagero seu. Honório tem medo de ser extremamente chato. Honório tem medo de que as pessoas deixem ele sozinho nas festas. Honório tem medo de que as pessoas deixem ele sozinho em qualquer lugar. Honório não sabe lidar com o fato de que pessoas deixam pessoas e que isso não é em festa ou em qualquer rua, é na vida. Honório não sabe lidar com o fato de que já fez isso com alguém. Honório tem medo de certas coisas que inventaram na vida. Honório não quer repetir isso. Honório não sabe lidar com o fato de que às vezes não consegue, com o fato de que às vezes não suporta. E o que mais dói no Honório é o fato de ele não ser obrigado a lidar com nada. É o que mais dói. É o que mais dói em Honório.


quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Existe felicidade na China?

Esse desassossego da solidão, isso tem a ver com o fato de saber que estar só é algo que não tem jeito. Definitivamente. Desde os 15 ou 16 anos que eu me sinto assim e nada melhorou. Cada vez mais tem sido cada vez pior. Algumas coisas doem menos, porque eu estou mesmo bastante calejado, mas outras continuam doendo do mesmo tanto ou pior. Outras coisas doem cada vez mais. Perder a beleza pro amargor da vida, por exemplo, é foda. Isso te salva de mil feridas, mas te afasta das coisas incríveis que só uma certa inocência te faz viver. E saber disso é cruel demais. Que é preciso abdicar da pureza pra não ser machucado. Essa falta de salvação. Quanta maldade isso com a gente. Essa dor de nunca estar completado ou entendido. E de ficar sempre procurando alguma coisa que não vem. E que nunca vai vir. Porque não existe. É uma necessidade que nunca vai ser completada. Nenhum beijo, nenhuma palavra bonita, nada disso nunca vai de fato libertar ninguém. Quando eu descobri que não havia nada que tomasse decisões por mim. E que eu não tinha escolhido viver. E agora ter que lidar com o fato de ter que ter dinheiro pra comer, e que trabalhar é assim, e que isso dignifica o homem, e que é isso o que importa. E que depois disso tudo, saber que nós vamos morrer um dia. Sem garantia de nada. E que amores morrem. E que flores murcham mesmo. E que amigos traem. E que você pode um dia falhar feio com quem você tanto ama. Continua doendo muito. Porque não é possível que seja assim desse jeito sempre. E que seja só assim, só desse jeito sempre. Saber que o mundo tem bilhões de habitantes e todos estão sozinhos. Continua doendo saber que sei lá quantas pessoas que já viveram nesse mundo foram sozinhas do começo até o fim. Continua doendo demais saber que os que virão ainda vão ser do mesmo jeito que nós somos. E continua doendo saber que eu, tendo 21 anos, já sinto o peso da vida desse tamanho assim. Imagine quando eu tiver, sei lá, quando eu tiver por exemplo 60 anos.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Toucinho fumado

Então eles apostaram em algo pra ser feito num único filete. Foi aí que eles cortaram as extremidades. Retiraram o excesso. Permitiram uns três enfeites de nada. E nada mais. Depois, eles pensaram que veriam o grande. O soberbo. Como um sopranino. Um castrati perfeito. E serviram um fermentado de ervas escuras e aguardaram o espetáculo. Com olhos que, insistentemente, esperam por algo. Saíram de dentro de suas camisas claras. Queriam contemplar o belo. O fofo. O magnífico. Que uns até pensaram que seria outra coisa. Mas eles encasquetaram na perfeição. Na salvação. Coisa de outra vida. Experiência mística. Nos campos elísios. Que ruíram feito geleia de amora no pão seco quando, na verdade, eles viram que não. E então perceberam o monstro. De um banquete falido. De café requentado. E chá de hortelã cheio de açúcar cristal. O bisonho. O fantasma. O diabo de voz rouca e sangue talhado na garganta. Com fogo nas tripas. O extraterrestre. O esquimó albino cego virgem de 134 anos nascido na República Dominicana. Com os membros cortados. E puta que pariu. Eles pensaram. Mas não deixaram nada belo. Foi como o contrário. Algo feito algo feito pra não ser sublime. Era o subterrâneo. O desfeito. O desgosto. O terrível. O feio. O horroroso. O torto. O mórbido. O incômodo. Fora de questão. Fora de contexto. Fora de quadrinho. Fora que, de tão fora, estava por fora. Servindo de entrave. Tadinho. Miúdo. Parecia uma tripa de bacon. Que frita, apesar de esquisita, talvez até fosse gostosa. Com bastante condimento por cima. E talvez com um molho de abacaxi com coentro. Mas ele fedia feito pano de chão guardado na gaveta ainda molhado. Depois de sete dias. O que tornava inviável o consumo.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Dia de reis

A vida é uma coisa bonita, cara. O resto pode ser foda. Mas a vida é, sim, bonita. Mesmo que não caiba tudo. Mas quando eu respirei agora a pouco. Quando eu abri as costelas. Quando eu encostei no rosto com as palmas das mãos. Eu soube, naquele momento, que a vida é, sim, uma coisa bonita.