quarta-feira, 3 de junho de 2009

Promessa de vida presente

(para Letícia Trugílio e José Wilson Brito)

Ontem eu fui dormir mais seguro de mim e do mundo. Eu tive a certeza de que eu não dormiria só. Eu tive a grandeza de ter alguém que me velasse, de ter quem me sonhasse, de ter alguém para pensar em mim durante a noite, mesmo estando sozinho em minha cama. Ontem: éramos apenas três – três desligados, três sexuados, três confessando, três apaixonados, malucos, apavorados, três medrosos, três maravilhados, três tão leves, tão pesados, três primaveras, três com tanta fome, três não sendo, três perdidos; mas éramos; éramos três terceiros – três primeiras pessoas.

Foi tudo tão simples, de tanta delicadeza. Foi com gosto de saudade! Porque quando eu fui embora daquele lugar, eu senti que aquilo jamais se repetiria da mesma forma. Talvez venham dias melhores, dias piores, mas como ontem nunca haverá de um dia ser de novo. Risos não se repetem, nem goles, nem carinhos, nem datas. Tudo é único perante a plenitude. E ontem eu me senti pleno – senti-me eterno, senti que minha história havia mudado; eu era mais feliz, eu era mais com cor, eu era mais sábio.

Sim. Ontem eu tive a certeza da sabedoria. Senti necessidade de escrever, mas era tanta euforia que eu não conseguia emanar as idéias. Então me lembrei do que eu já tinha escrito – era o que eu não sabia muito, mas é o que hoje eu chamo de promessa de vida presente. Rebusquei minhas palavras, minhas memórias em caixas, em impressos, dentro das pastas. Eu procurei e eu encontrei. Eu estava completo – reavivei um esboço quando li:
“Ou seja: nós sabemos. Sabemos de nós, sabemos entre si, sabemos de um para o outro. Cada um sabe ao que precede – isso é o que importa: nós nos sabemos para nós. É uma coisa que parte de cada um para cada um, como algo único, como se cada qual fosse um cada único para cada um de nós. Me atrevo a dizer e, sem mais, digo: como uma santíssima trindade totalmente humana (e sem um pingo de divindade).

Um se doa para cada um numa giratória de saber, sem precisar dizer nada. Porque não dizemos nunca – temos vergonha. E não é porque é menos, é porque é mais – e bem mais, ao ponto de a palavra não ter serventia; é bem mais. Mais do que se possa entender. Porque não basta entender. Aliás: não tem que entender. Entender é coisa para tolos. Tem é que saber, porque o saber – esse sim – é para poucos. Saber é o que importa, é o que basta. E o segredo desse saber é simplesmente isto: não saber. Porque do saber não se deve saber, tem é que deixar saber-se sozinho, saber-se apenas”.


Ontem eu fui dormir mais seguro de mim e do mundo. Fui dormir com esperança. Eu senti saudade enquanto estava deitado, então pensei em cada um e senti-me pensado – deixei-me saber.
“Espero que saibam o porquê de que escrevo. Espero que saibam, porque o saber é amar – é nisso que eu acredito, é isso que eu não entendo; é o que eu espero”.
Ontem eu me senti vivo. Ontem eu fui dormir com o gosto do hoje. Porque ontem eu fui dormir com aquele beijo e com aquele abraço.

14 comentários:

  1. simplismente lindo!

    já me senti assim.^^



    =D

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  2. asssim... oq vcs tres fizeram ein

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  3. Que lindo!

    é tão bom e mágico esse "sentir" .
    Você escreveu com tanta docilidade, que me fez sentir um pouco do que você sentiu também.

    Acho que hoje, vou dormir pensando nisso.

    adorei o Blog

    Beijo!

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  4. Parabens pelo txt e blog
    vc escreve muito bem

    vo indicar o blog para minha professora tenho crtz que ela vai gostar e indicar para os amigos dela tbm

    visita la depois
    http://www.blogdosatuais.com/

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  5. Que post lindo! Você falando assim, me senti no próprio post!

    ;***

    Beijos


    http://wanessalins.blogspot.com

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  6. Fui dormir mais seguro... e aí você tece belas e dolorosas razões para isso. A saudade, entre elas, é tão de todos nós...
    Visite-me:
    Blog em Português: http://goiaschaopoemadobao.blogspot.com/
    Blog in English: http://onaldoscorner.blogspot.com/

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  7. "Sim. Ontem eu tive a certeza da sabedoria."

    o que vejo é uma euforia causada pelo conhecimento. O conhecimento do sentir. Nada é mais belo e nada nos é mais certo. Em verdade, esta é a única certeza que queremos ter.

    é o saber do prazer. É o epicurismo em atos humanos.

    Parabéns.

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  8. " Foi tudo tão simples, de tanta delicadeza. Foi com gosto de saudade! Porque quando eu fui embora daquele lugar, eu senti que aquilo jamais se repetiria da mesma forma."
    ow meu querido, chorei mto lendo seu texto!
    não sei se foi minha sensibilidade ou a verdade de suas palavras.
    acho q os dois.
    Fico imaginando qual o sentindo da gnt escrever? pra q ou pra quem a gnt escreve.
    pois cada palavra que sai é um parto!
    bjs

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  9. Porsa de poeta. Dá a impressão de ser pessoal, visceral, mas ao mesmo tempo parece algo vindo daqueles caleidoscópios que quando você vira a imagem muda para formatos que você nem imagina. Gostei muito do seu estilo.

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  10. Errata: onde se lê "porsa", leia "prosa". :-)

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  11. Que lindo! ^^
    Sabe, também sou membro de uma trindade. É bom estar com eles, é bom saber que posso estar com eles. Eu sempre tive uma ligação muito forte com o nº 3 =D

    Um abraço Mariano.

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  12. muito bom, me sinto muito lislonjeado ;D

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  13. muito bom, me sinto muito lislonjeada ;D
    *-*

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